Governo de Rondônia mais 81 entram na Lista Suja da escravidão
O serviço fazia parte de um contrato de R$ 21 milhões firmado pela Secretaria de Estado da Educação com a Terra Forte, sendo R$ 504 mil destinados à unidade de ensino.
O governo do Estado de Rondônia e a empreiteira Terra Forte estão entre os 82 novos nomes incluídos na Lista Suja do trabalho escravo. A atualização foi divulgada nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, alcançando um total de 508 empregadores cadastrados em todo o país.
A inclusão de Rondônia ocorreu em razão de uma obra pública fiscalizada no ano passado. Em setembro de 2025, uma força-tarefa com auditores do MTE, procuradores do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Federal e agentes da Polícia Federal resgatou dois trabalhadores venezuelanos em condições análogas à escravidão durante a reforma de uma escola indígena.
Obra em escola indígena
A intervenção ocorreu na Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental 5 de Julho, localizada na Terra Indígena Rio Guaporé, em Guajará-Mirim. O serviço fazia parte de um contrato de R$ 21 milhões firmado pela Secretaria de Estado da Educação com a Terra Forte, sendo R$ 504 mil destinados à unidade de ensino.
Conforme a fiscalização, os dois venezuelanos atuavam como serralheiros e estavam alojados em condições precárias, com salários atrasados, sem alimentação garantida e sem banheiro adequado. Eles dormiam em colchões colocados sobre mesas escolares e enfrentavam dificuldades de acesso à aldeia para deixar o local nos dias de descanso.
Funcionamento da relação
Criada em novembro de 2003, a relação torna públicas pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por trabalho escravo após o direito de defesa na esfera administrativa em duas instâncias. Os empregadores permanecem no cadastro por dois anos, prazo que pode ser reduzido caso assinem um acordo de regularização com o MTE.
O cadastro não aplica punições diretas, mas é utilizado por empresas e pelo setor financeiro para gerenciamento de riscos e aprovação de financiamentos. A ONU considera o instrumento um dos mais relevantes meios de combate ao trabalho escravo no mundo. A atualização nacional distribui os 82 novos registros por 21 estados, com maior incidência em Minas Gerais, Bahia, Amazonas e Maranhão.
Com informações do Repórter Brasil.



