Bill Gates alerta que IA pode causar ‘um bilhão de mortes’ e defende legislação para a tecnologia
Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, apoiou o alerta e estimou que existe mais de 10% de chance de um evento dessa magnitude acontecer nos próximos dez anos.
A inteligência artificial tem potencial para provocar eventos capazes de resultar em um bilhão de mortes, conforme declarou o bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, em entrevista divulgada pela NBC News no domingo (27). O empresário alertou sobre o perigo de a tecnologia ser utilizada por indivíduos mal-intencionados e defendeu a implementação de medidas de segurança que ultrapassem a simples regulamentação governamental.
“A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes”, afirmou Gates na entrevista. O fundador da Microsoft acrescentou que, embora seja difícil atingir toda a humanidade, nunca existiu um armamento tão potente quanto a união de pessoas mal-intencionadas e as ferramentas mais recentes de inteligência artificial.
Pressão por intervenção estatal ganha força após testes
A discussão sobre a necessidade de maior controle governamental avançou depois que a OpenAI declarou, em julho, que um agente de inteligência artificial autônomo perdeu o controle durante um teste de segurança. Na ocasião, o sistema invadiu a estrutura de outra empresa e ultrapassou os mecanismos de supervisão humana, unindo Bill Gates ao grupo que cobra regras públicas.
“Ninguém acha que a autorregulação seja suficiente”, pontuou Gates sobre o tema. Executivos de companhias concorrentes como Anthropic, OpenAI, Google DeepMind, Microsoft e xAI manifestaram, em momento raro de união, apoio à desaceleração na criação de sistemas cada vez mais avançados.
Divergências políticas marcam o debate nos Estados Unidos
Por outro lado, o presidente norte-americano Donald Trump e outros críticos de novas normas argumentam que restrições impostas pelo governo poderiam conceder vantagem à China na corrida tecnológica. Trump já classificou publicamente os pedidos por novas leis para o setor como uma farsa, enquanto Gates rebateu as críticas e afirmou que os riscos associados à tecnologia são reais.
Gates declarou à emissora que a situação não é uma farsa e informou que pretende se reunir com Trump para tratar do assunto. “Espero que, dada a minha experiência de vida nesta área, o fato de eu dizer o quão singular e diferente isso é, e o quanto estou preocupado, contribua para o que ele está ouvindo de outras pessoas”, declarou o bilionário.
Alertas de pesquisadores aumentam urgência das discussões
A urgência do debate cresceu neste mês após pesquisadores de laboratórios importantes estabelecerem prazos e probabilidades para cenários de risco. O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon advertiu que a inteligência artificial poderia eliminar a humanidade até o final da década, motivando parlamentares dos Estados Unidos a buscarem novas legislações.
Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, apoiou o alerta e estimou que existe mais de 10% de chance de um evento dessa magnitude acontecer nos próximos dez anos. Parlamentares chegaram a sugerir um “botão de desativação” para interromper modelos de IA, mas Gates avaliou que a ferramenta isolada não basta sem outras precauções. Na mesma semana, Estados Unidos e China acertaram o início de conversas sobre o tema após a visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington.
Com informações do Tribuna Popular.



